sábado, 27 de março de 2010

Me cansei de lero-lero


"Mas ninguém sai de cima, nesse chove-não-molha
eu sei que agora agora eu vou é cuidar mais de mim
Como vai? Tudo bem?
Apesar, contudo, todavia, mas, porém
As águas vão rolar, não vou chorar
Se por acaso eu morrer do coração
É sinal que mei demais.
Mas enquanto estou viva e cheia de graça
Talvez ainda faça um monte gente feliz"


Rita Lee

Ó pedaço de mim

"Meu egoísmo é revelar só um pedaço do que sou, só a parte boa, a mocinha da história. Tenho, dentro de mim, um elenco de coadjuvantes que não deixo que brilhem, que não dão autógrafos nem saem nas capas de revista. Egoísta. Poupando o mundo do meu lado sórdido, que costuma ser o mais interessante."



Martha Medeiros

"Eu sofro sendo assim, eu sofro porque, quando você acha mais da metado do mundo babaca, você passa muito tempo sozinho." (Tati Bernadi)




" É difícil me iludir, porque não costumo esperar muito de ninguém. Odeio dois beijinhos, aperto de mão, tumulto, calor, gente burra e quem não sabe mentir direito. Não puxo saco de ninguém, detesto que puxem meu saco também. Não faço amizades por conveniência, não sei rir se não estou achando graça, não atendo o telefone se não estou com vontade de conversar. "



Caio F.

Não acredita não, Teresa




"Teresa, se algum sujeito bancar o sentimental em cima de você
E te jurar uma paixão do tamanho de um bonde
Se ele chorar
Se ele se ajoelhar
Se ele se rasgar todo
Não acredita não, Teresa
É lágrima de cinema
Tapeação
Mentira
CAI FORA."


Manoel Bandeira

quarta-feira, 10 de março de 2010

"Toda mulher é doida. Impossível não ser. A gente nasce com um dispositivo interno que nos informa... que sem amor, a vida não vale a pena."


Capítulo um: nunca atenda antes de deixar tocar pelo menos três vezes, para não demonstrar ansiedade. Que ninguém possa supor, jamais, que você vive plantado ao lado de um maldito telefone. Principalmente à noite e durante os fins-de-semana, claro.
Caio Fernando Abreu

domingo, 7 de março de 2010

"SOMOS SUSPEITOS DE UM CRIME PERFEITO

...MAS CRIMES PERFEITOS NÃO DEIXAM SUSPEITOS"


''Somos muito menores do que aquilo que vivemos juntos.''

Essa frase é do carpinejar, mas poderia ser nossa.

Eu fiquei ontem muito tempo olhando pro nada, tentando feito uma analfabeta aprendendo as primeiras letras, colocar palavra atrás de palavra e fazer disso tudo que vou escrever algo que tivesse algum sentido.
Mas todas as linhas desse texto ruim, linhas mal escritas, talvez até clichês, frases feitas que não impressionam ninguém, tortas, palavras bem mal escolhidas. Tudo isso virou em nada depois que eu li essa frase que abre o post.
A gente era menor que as cenas que protagonizamos. Menores que os sonhos que tivemos, das imaginações todas de todas as coisas que a gente queria que acontecessem. Do mundo melhor, do futuro bonito. Menores que isso apenas.
Não sou pequena. Muito menos tu. Grande gigante em toda a dimensão que essa palavra abrange. Na verdade teu tamanho é o que tem de menor em ti, já que tua vastidão é mais de dentro que de fora. Talvez a gente acabasse ficando pequeno asssim, porque as coisas que a gente viveu ocuparam todo o espaço, deixando o espaço que tem que ser das pessoas, assim, esquecido, deixado de lado.
Como se a nossa históra fosse um parque de diversões pra nós mesmos, ou pelo menos pra mim. Era se ver e um mar de acontecimentos tomar conta, sentimentos, sensações que a gente não só não soube lidar, como deixamos que nos tragasse, que fizesse com que a gente perdesse o foco do principal. Nós.
Não foi ruim, foi lindo. Não teve fim. Acho que nunca vai ter, o fim é só um tipo de rito, de libertação, sei lá (olha as palavras idiotas aqui). A gente vai viver a vida de pessoas, não a vida de filme de louco que a gente tinha.
Queria tentar encerrar logo esse texto ruim dizendo que tudo isso foi a coisa mais bonita. E o que mais me deixa triste, o que me fez andar no ônibus com os olhos vermelhos, foi saber que não tenho mais direito àquele futuro que consegui imaginar como nunca tinha conseguido antes. E que era bonito, sabe. Eu ali de shorts velho, rindo de alguma coisa sentada contigo no sofá. Com o pé pra cima. Num sofá branco, com um tapete vermelho e onde a gnt passava horas falando bobagens.
Mas entre a perfeição e imperfeição há milhares de variáveis, entre o certo, o errado, o bonito o feio, entre essas palavras decisivas há todo um mar de desejos, confusões, interrogações, anseios. E será que a gente só separado mesmo, de vez, vai conseguir ir atrás de tudo que existe entre o feliz e triste? Talvez também eu realmente não tenha nascido para a paz. Justamente essa coisa que tu parece ter nascido pra ser o representante. Mas eu teria coragem de vestir branco o resto da vida se você me pedisse.
Enfim, o que mais esperar de duas pessoas que não podem nem se ver não é mesmo?
Porque se nos víssemos, eu tenha toda a certeza que teria mais uma história de dois jovens nas ruas de Paris ou em uma ruela na Itália querendo fugir pra Budapeste. Ou uma história de dois loucos se beijando no sinal às 14h. Ou daquele violão tocando musiscas antigas, que só eles entendiam o sentido. Ou daquelas confissões e desabafos na sala de aula. Ou os que sentaram numa esquina de uma padaria num dia de segunda-feira e lá ficaram durante toda a manhã como se não houvesse mais nada em volta. Que riram que nem criança um monte de vezes. Que matavam aula dia de sexta-feira só pra passarem o dia juntos. Que ficava em silencio só olhando nos olhos do outro. Que dava escandalos com as tuas mordidas. Que não conseguiram ver aquele filme porque tudo dava errado. Que não conseguiram se ver. Que ja sentia saudade só de ouvir tu dizendo que tinha que ir embora.

Quem sabe não é melhor pensar isso tudo mesmo? Que no fundo era tudo uma história linda que a gente escreveu junto, sentados no sofá da minha sala.


 
"Quero ser a cicatriz risonha e corrosiva
marcada a frio, ferro, fogo, em carne viva.
Corações de mãe, arpões, sereias e serpentes.
Que te rabiscam o corpo todo, mas não sentes"

"Não gosto da vida em banho-maria, gosto de fogo, pimenta, alho, ervas, por um triz não sou uma bruxa."

"Domingo é o meu inferno astral. Duvido que haja algo mais entediante. É dia de descansar, de almoço em família, de ir ao parque: o domingo é benevolente demais. Não tem a malícia do sábado nem a determinação da segunda. É um dia em cima do muro, não é dia de festa nem de trabalho. Nem lá, nem cá. Nem mais, nem menos. Suporto tudo nessa vida, menos as fases transitórias, aquelas onde já abandonamos o lugar em que estávamos mas ainda não chegamos aonde queremos. Viajar de avião, por exemplo. Tem coisa que nos deixe mais sem chão, literalmente? Estrada tem ao menos a paisagem para distrair, e quem quiser sair do carro, sai. Mas você não pode sair de um avião. Nem de um domingo."



Martha Medeiros

sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010

As pessoas grandes não compreendem nada sozinhas e é cansativo, para as crianças, estar a toda hora explicando.

· Mas ninguém lhe dera crédito por causa das roupas típicas que usava. As pessoas grandes são assim. (...) Se lhes dou esses detalhes sobre o asteróide B612 e lhes confio o seu número é por causa das pessoas grandes. Elas adoram os números. Quando a gente lhes fala de um novo amigo, as pessoas grandes jamais se interessam em saber como ele realmente é. Não perguntam nunca: "Qual é o som da sua voz? Quais os brinquedos que prefere? Será que ele coleciona borboletas?" Mas perguntam: "Qual é a sua idade? Quantos irmãos ele tem? Quanto pesa? Quanto ganha o seu pai?". Somente assim é que eles jugam conhecê-lo. Se dissermos às pessoas grandes: "Vi uma bela casa de tijolos cor-de-rosa, gerânios na janela, pombas no telhado...", elas não conseguirão, de modo algum, fazer uma idéia da casa. É preciso lhes dizer: "Vi uma casa de seiscentos mil cruzeiros." Então elas exclamarão: "Que beleza!"

Assim, se a gente lhes disser: "A prova de que o principezinho existia é que ele é encantador, que ele ria, e que ele queria um carneiro. Quando alguém quer um carneiro, é porque existe", elas pouco se importarão e nos chamarão de criança! Mas se dissermos: "O planeta de onde ele vinha é o asteróide B612", ficarão inteiramente convencidas e não amolarão com perguntas. Elas são assim mesmo. É preciso não lhes querer mal por isso. As crianças devem ser muito tolerantes com as pessoas grandes.Mas, com certeza para nós, que compreendemos o significado da vida, os númerosnão tem tanta importância!

segunda-feira, 30 de novembro de 2009

Não importava o que fora, queria o passo a frente.


Você é de Virgem, não? É o signo regido por mercúrio, o planeta da inteligência, as pessoas de Virgem sempre conseguem o que querem, embora no começo pareça tudo muito, muito difícil.

Dolorido-Colorido

Ando bem, mas um pouco aos trancos.
Como costumo dizer, um dia de salto sete,
outro de sandália havaiana.

Caio Fernando Abreu

quarta-feira, 25 de novembro de 2009

E hoje em dia como é que se diz eu te amo



'' Ninguem se toca mais. E o que você faz com seus sentimentos, suas fantasias, sua necessidade vital e atávica e institiva de amor?"

Caio Fernando Abreu

trechos, singelos trechos

Caixa entrada do gmail, 15 e-mails não lidos, orkut, anatomia, curso de neurologia, opaa a resposta ao meu e-mail desesperador-desabafo-carta suícida enviado na terça de madrugada.

"vejo arco-iris e lembro de você' que bom que gostou, e sobre teu e-mail, eu juro que ia escrever muita coisa, levei um dia pensando em ti de todas as maneiras possíveis e cheguei a conclusão que vou te dizer duas ou três coisas:
Primeiro, caio fernando que tu me fez amar e não largo mais, carta ao zézim, tu conhece?
Lê, porque é muito amor de um amigo pra outro, e metade do que ele diz eu te diria.
(link)

E de tudo mais que tu disse, respondo simplesmente aquilo que ele diz tbm na carta:
''Eu conheci / conheço muita gente assim. E não dou um tostão por eles todos. A você eu amo. Raramente me engano.''

O que tu faz quando vê, ouve e lê certas coisas?
Seja apenas linda, sábia e feliz. Que é sempre o melhor que tu pode fazer.

E isso tudo tu já é.''


Uma resposta de algumas linhas pra um treco que eu levei um dia escrevendo.

Ouço agora aquela da Bebel Gilberto.



E quando viu, já era quase meia noite.
Era assustador como o tempo podia passar rápido quando ela pensava. E era somente isso que estava fazendo nessa noite úmida de quarta feira, sentada com o cabelo todo bagunçado na cozinha semi-iluminada sob a sombra do vaso de vidro na mesa.
O livro aberto na sua frente, alguns trechos relidos. A xícara de café vazia, nenhuma música. Nenhum bicho lá fora, nenhum som, nadinha. Um silêncio acolhedor recebia ela pensando, as quase meia noite de uma segunda virando terça, de pés descalços, testando de vez em quando o gelado do piso com a ponta dos dedos.
Havia acordado assim hoje, pensativa. Um ou dois fatos ocorridos durante o dia fizeram que ficasse mais ainda, mas era um pensativo bom, meio sem rumo definido. Pensativo inspirado, sabem? Se assustava com esse seu mundo interior, da capacidade de absorver e inventar e recriar coisas, de transformar a realidade, de criar em cima de coisa nenhuma...era uma vastidão interminável de coisas que faziam com que as vezes ficasse assim, horas a fio somente pensando coisas disformes, amarela, azuis, roxas. Em outras horas, ficava criando esses textos sem nexo que gostava de escrever, eles que vinham sozinhos, deixava-se apenas ficar parada como se os parisse,assim , em qualquer lugar. Para perde-los ali mesmo, no instante em que nasciam. Em outras horas ainda, a nas mais absurdas- ônibus lotados, filas de banco, provadores de lojas ,reuniões de família-era capaz de imaginar com precisão o roteiro completo de um filme, com direito a trilha sonora, abertura, atores, e até entrevistas pra imprensa. Diálogos, criara uns mil. Alguns contos nunca mostrados pra ninguém, capítulos iniciais de livros nunca concluídos, um ou dois poemas. Uns desenhos meio tortos, que quando nova seu mundo interior era quase tão mais vasto quanto agora, pois conseguia desenhar. E muito,tudo. Desde restaurantes completamente planejados,com nome, logotipo,estilo e decoração. Ou coleções inteiras de moda. Também inventava coreografias, planos de aulas, projetos de leis...
Nessas inventividades um belo dia se perguntou: será que um dia esse mundo interior tão vasto começaria a brigar com o mundo exterior (na maioria das vezes sem a mesma vastidão)?
Ou será que é possível conviverem em harmonia?
Foi pensando nessas coisas todas assim tão desconectas, que ela sentada no escuro de pés descalços no piso com o livro aberto na sua frente sorriu e pensou que sim, as vezes pode ser uma grande bobagem não viver a realidade.Porém, jamais iria abrir mão da sua vastidão interior, seus pensamentos gigantescos e inexplorados por todos, existentes somente pra ela mesma. Afinal quem possui um mundo vasto, mesmo sozinho terá sempre companhia e quando estiver com companhias sempre e sempre mais vai saber aumentar o mundo delas e o seu próprio,o mundo de um se unindo com o mundo dos outros, e sendo dividido com outros, e emprestado pra outros . E desse jeito,mesmo que aos atropelos as vezes, ir dando um colorido na vida,que já é por si só tão cinza...Ela precisa da nossa imaginação e criatividade se não vira coisa inútil. Chata de se ver.
Pois agora já passava da meia noite,e a cabeça cansada de tanto pensar em coisas que ninguém mais pensa ia dormir. Talvez sonhar mais um pouco. Talvez dormir apenas.

Trecho do meu dia> 'Me chamam para a Hungria e Indonésia, arrumo/desarrumo malas por hotéis estranhos, choro em Veneza, beijo turcos em Milão, acho graça em clichês, rio com Rubem Fonseca, falo duas palavras em inglês, uma alemã, outra italiana, três francesas, outras cinco portuguesas, e não tenho mais uma vida ¨normal¨

quinta-feira, 12 de novembro de 2009

E tudo que ofereço é meu calor, meu endereço

''Me veja nos seus olhos, na minha cara lavada''


Acordou as 9.30 com os gritos e reclamações da síndica sobre o vazamento, sobre que ela não podia entrar e sair em horários absurdos como aquele, que ela levaria todas essas reclamações pra reunião, e blá blá blá. Fechou a porta com o telefone tocando, onde era ele pedindo que ela se vestisse, que iam almoçar com toda a família dele, que fosse bem arrumada porque era um restaurante chique e que não se atrasasse.

Te veste,arruma o cano, seja decente, seja pontual.

E ela só queria era dormir um pouco!

E no sono entrecortado, ficar pensando no gosto doce que estava nela, no cheiro antigo e na sensação de coração cheio. E cada vez que acordasse em meio ao sono leve, queria só poder reparar na luz do dia, que ela viu nascer junto com ele, entrando pela sala, e nesse momento ela teve vontade de ir até a janela e gritar pra síndica ‘sua demônia, eu saio essa hora sim, porque tu nunca deve ter percebido que certas coisas na vida só se pode fazer assim, a essa hora!E foda-se o encanamento.”

Com certeza.

Enfim, levantou sorrindo e colocou o vestido azul com sapatos vermelhos de salto altíssimo.

Quando ele a visse iria reparar em cada detalhe e comentar todos. Para ele, queria poder dizer, quando entrassem no restaurante chique:

‘essa madrugada eu saí do nada, as quase 5 da manhã, com um cara da minha infância que não via a anos, de pijama, com minha blusa de dormir aquela branca rasgada sabe que tu tanto reclama, de chinelos de dedo rosa que nem de marca cara são, de cabelo solto e crespo e bagunçado, de cara limpa e mãos vazias e foi a coisa mais viva e bonita que eu fiz nos últimos tempos.’

Sorriu pro espelho, se arrumou mais ainda agora lembrando. Porque arrumar-se era esconder tudo, e hoje, naquela madrugada, ela foi vista mais nua do que jamais havia sido vista na vida. Por um cara que nunca viu nada do corpo dela. Mas que a conhecia na sua forma mais original e não se importava com isso.

Ao chegar no restaurante, que devia estar a dias já escolhido, sentou-se a mesa e automaticamente pensou no porquê de precisarem ir a um lugar tão chique, tão caro, tão cheio de pessoas pra mostrar ou ocultar coisas, tão cheio de garfos e tão cheio de vazio.

Se ela, nessa madrugada, entrou num carro sem nada nas mãos, e foram sem rumo algum em direção a nada, até chegarem num local em que nunca tinham ido e rir completamente disso, e voltar e ver o dia nascer num lugar totalmente qualquer, sem ninguém além dos bichos que moravam ali, e darem as mãos num gesto tão antigo quanto eles dois ali, desarrumados virados saudosistas adolescentes doidos novamente de mãos dadas vendo o dia chegar.

-Garçom, por favor, quem é que está escolhendo essa música ambiente hoje? Isso esta horrível! Mal conseguimos conversar!

Ela lhes sorriu. Pensou na música ruim que ouviu no carro. Quase teve de segurar o riso dessa vez. Que bela merda, não tinham uma música boa eles dois, impressionante! A primeira vez que se beijaram a anos luz atrás era algo do tipo mas só de ouvir a sua voz eu já me sinto bem e aquela coisa toda. E agora, mesmo se encontrando do nada, no fim de uma sexta feira que já havia acabado para ambos, depois de anos sem se ver direito, de roupa de dormir, as 5 da manhã, mesmo depois de irem até fora da cidade, voltarem, verem o dia chegar, darem as mãos, lembrarem que os perfumes mudaram mas os cheiros continuam os mesmos, depois de olhar de novo dentro daquele olho enorme assim de cara limpa, depois de tudo isso feito assim do nada, feito assim as pressas, feito assim de loucos que eram, ainda assim a única música que lembrariam era uma música ruim. Enfim, Jujuba, bananada, pipoca. E Traz todo mundo, tá convidado, é só chegar.

Perguntaram do que ela estava rindo. Ela disse que riu porque serviram carne de pato no almoço. E isso lembrava ela de uma história engraçada.

segunda-feira, 26 de outubro de 2009

Segunda-feira


" Farto de tudo, clamo a paz da morte
Ao ver quem de valor penar em vida
os mais inúteis com riqueza e sorte
e a fé mais pura triste ao ser traída
honras a quem vale nada
a virtude prostituída
a perfeição caluniada
a força, enfraquecida
E o déspota calar a voz da arte
E o néscio, feito um sábio, decidindo
Farto de tudo, penso.
Parto sem dor
Mas, ao partir, deixo só o meu amor."


Gosto de metáforas elegantes pra traduzir certas coisas nem um pouco elegantes

sexta-feira, 23 de outubro de 2009

"Rio do mistério que seria de mim se me levassem a sério?"


"E, de qualquer forma,
às cegas,às tontas,
tenho feito o que acredito,
do jeito talvez torto que sei fazer"
C. F. A.

Filosofia cara de botequim


Ando filosofando tanto, mas tanto...comigo, contigo, com os outros.
Até com a vendedora da loja no shopping. Filosoficamente ativa.

Logo, hoje li um comentário que sintetizou tudo que minhas filosofias andam sondando:

'Cuidado com as pessoas que nunca erram!
Além de serem chatas, não tem histórias para contar,
então, logo, não vivem bem.
Péssimo exemplo.'

Adorei adorei.


Esse tipo de gente sim é exemplo horrivel.

Verão em calcutá ao som do mar




"Se ela se distraisse, acabaria sendo feliz pra sempre''.



Tem muita gente que se distraí e é feliz pra sempre, sem conhecer as delícias de ser feliz por uns meses, depois infeliz por uns dias, felicíssima por uns instantes, em outros instantes achar que ficou maluca, então ser feliz de novo em fevereiro e março, e em abril questionar tudo que fez, aí em agosto ser feliz porque uma ousadia deu certo, e assim sentir-se realmente viva porque cada dia passa a ser um único dia, e não mais um dia. (...) mostra que felicidade pode ser qualquer coisa, menos acomodação. Acomodar-se é fazer uma viagem no piloto automático. Muito seguro, mas que tédio. É preciso um pouco de turbulência para a gente acordar e sentir alguma coisa, mesmo que seja medo.



Quem disse isso foi a Martha Medeiros, mas poderia ter sido eu, se meu cérebro viesse com um digitador automático de pensamentos.



Título aleatório.

"Ela é tão livre que um dia será presa. - Presa por quê? - Por excesso de liberdade" Clarice Lispector


“Sentia-me contente por não estar apaixonado, por não estar contente com o mundo. Gosto de estar em desacordo com tudo. As pessoas apaixonadas tornam-se muitas vezes susceptíveis, perigosas. Perdem o sentido da realidade.”
Charles Bukowski

Singelo Lembrete


"E em cada verbete
Um singelo lembrete:
Em sua companhia quero estar
Quero te ver de corpete
Te guiar num Corvette
E seguir sem destino pra chegar....."

(Móveis Coloniais de Acaju - Copacabana)


Sério, eu acho essa música uma daquelas ótimas descobertas.

Por você aprenderia Esperanto e traria GorbaNegritotchev para uma série de palestras
Na casa da minha tia, onde todos beberíamos chá fofocando sobre a Perestroika



Não só a música, como a banda, tem um toque de inusitado e bonito;
eu tenho dedicado ela a várias pessoas que gosto, pq afinal de contas, você diria pra alguém sem importância 'quero te guiar num Corvette'?


Gosto disso, dessa forma única de dizer algo já tão batido, é como estava conversando hoje, você pode simplesmente não dizer nada ou dizer 'nossa, gosto de vc'.
Mas é bom ouvir coisas diferentes das pessoas que gostamos, acho que é uma coisa que renova, é tipo um mimo que vem numa hora em que poderia não ter-se nada.



E o inferno lembrar fim de semana!


Aí que está o bonito da coisa, 'transformar o tédio em melodia'.
Achar formas diferentes de se dizer a mesma coisa;
trazer poesia para o dia-a-dia...

Minha intuição não me engana,
Você me faz ser tão Copacabana!